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Ultrapassagem de demanda: quando aumentar o contrato

09 de outubro de 20266 min de leitura

Por Bruno Mendonça · Dev Full Stack & Design Gráfico

Ultrapassagem de demanda é a cobrança que a distribuidora faz quando a demanda medida de uma unidade do Grupo A passa da contratada em mais de 5%. A regra está na REN ANEEL 1.000/2021, art. 301, e pesa: no mês em que aparece, cada kW acima do contrato custa três vezes a tarifa de demanda. Por isso a pergunta que vem depois da primeira multa, se vale aumentar o contrato, tem resposta numa conta simples.

Como a ultrapassagem é cobrada

A demanda medida é a maior média de potência em 15 minutos dentro do ciclo de faturamento. A distribuidora fatura o maior valor entre a demanda medida e a contratada (REN 1.000/2021, art. 294). Se a medida passa da contratada em até 5%, a unidade paga só o que mediu. Acima disso, soma a ultrapassagem: o excedente sobre a contratada vezes duas vezes a tarifa de demanda.

Um exemplo com a tarifa do subgrupo A4 da CPFL Paulista, de R$ 16,53 por kW, sem tributos (Resolução Homologatória ANEEL nº 3.579, de 22/04/2026). A unidade contrata 500 kW, então a tolerância vai até 525 kW. Num mês, três máquinas entram em carga ao mesmo tempo e o medidor registra 560 kW.

  • Demanda faturada: 560 kW em vez de 500 kW. São 60 kW a mais, R$ 991,80.
  • Ultrapassagem: 60 kW vezes duas vezes R$ 16,53, ou R$ 1.983,60.
  • Custo do pico no mês: R$ 2.975,40.

Repare na proporção. Cada kW acima do contrato entra uma vez como demanda faturada e duas como ultrapassagem: três vezes a tarifa.

Aumentar o contrato ou pagar a ultrapassagem

Pelo contrato, a unidade tem três saídas. A primeira é manter os 500 kW e pagar R$ 2.975,40 só nos meses em que o pico aparecer.

A segunda é contratar o pico inteiro, 560 kW. A multa some, mas os 60 kW a mais entram na fatura todo mês, com pico ou sem pico: R$ 991,80 por mês, R$ 11.901,60 por ano.

A terceira usa a tolerância a favor da unidade: contratar o pico dividido por 1,05, arredondado para cima. São 534 kW, com tolerância até 560,7 kW, então o pico de 560 kW não gera ultrapassagem. A unidade paga 34 kW a mais todo mês, R$ 6.744,24 por ano, e nos meses de pico paga a demanda medida: 26 kW acima dos 534, ou R$ 429,78 por mês de pico. A tabela compara o custo das três no ano.

Meses com o pico no anoMantém 500 kW e paga a ultrapassagemContrata 534 kWContrata 560 kW 1R$ 2.975,40R$ 7.174,02R$ 11.901,60 2R$ 5.950,80R$ 7.603,80R$ 11.901,60 3R$ 8.926,20R$ 8.033,58R$ 11.901,60 4R$ 11.901,60R$ 8.463,36R$ 11.901,60 5R$ 14.877,00R$ 8.893,14R$ 11.901,60 6R$ 17.852,40R$ 9.322,92R$ 11.901,60

Contratar o pico inteiro nunca é a melhor das três. Contratar 534 kW custa menos em qualquer número de meses e só empata com os 560 kW se o pico aparecer nos 12 meses do ano. A escolha fica entre manter o contrato e contratar 534 kW.

Com o pico em 1 ou 2 meses do ano, manter os 500 kW e pagar a ultrapassagem sai mais barato. A partir de 3 meses, contratar 534 kW sai mais barato. Neste exemplo o empate fica em 2,65 meses, e esse número depende do tamanho do pico em relação ao contrato. A tarifa não muda o empate, porque entra igual nos dois lados da conta.

A conta supõe o mesmo pico em todos os meses em que ele aparece. Na prática o pico muda de um mês para o outro, então compare mês a mês o que cada opção cobraria, com 12 meses de fatura. E mudar a demanda contratada tem regra de prazo, na REN 1.000/2021 e no contrato com a distribuidora: confira antes de pedir.

Na modalidade Azul a mesma conta vale para cada posto, ponta e fora de ponta. Na ponta da CPFL Paulista a demanda custa R$ 48,90 por kW, quase três vezes a de fora de ponta, então o pico nesse horário pesa bem mais em reais. O empate em meses, para o mesmo pico, é o mesmo nos dois postos.

Tirar o pico

As três saídas acima mexem só no contrato. A outra é tirar o pico. O caminho mais barato costuma ser operacional: escalonar a partida de motores grandes, não ligar juntas as cargas que podem esperar 15 minutos e usar um controlador de demanda, que desliga carga não essencial quando a medição se aproxima do contrato.

A bateria também corta pico, mas raramente se paga só com a ultrapassagem. No exemplo, o pico em 3 meses do ano custa R$ 8.033,58 por ano, mesmo na melhor saída pelo contrato. A conta da bateria fecha quando, além do pico, há ponta cara para cortar: na Azul da CPFL Paulista, cada kW tirado da demanda de ponta vale R$ 48,90 por mês, todo mês. É o caso do peak shaving, e o valor muda muito de uma área de concessão para outra, como mostra a tarifa de ponta por distribuidora.

Como o Energy BRAIN entra nessa conta

O Energy BRAIN calcula a fatura da unidade com a tarifa homologada da distribuidora e a curva de consumo, nas modalidades Azul e Verde, com e sem solar e bateria. O estudo mostra a fatura de cada cenário e entrega payback, TIR, VPL e LCOS do escolhido. Quer ver a conta com a fatura de um cliente seu? Fale com a gente.

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Bruno Mendonça

Sobre o autor

Bruno Mendonça

Dev Full Stack & Design Gráfico

CEO da Efficiency Tech. Lidera produto e tecnologia, transformando anos de experiência em campo em software de engenharia digital para o setor de energia.

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