O que muda da fatura do cativo para o mercado livre
No cativo, a unidade do Grupo A paga à distribuidora a energia (TE), o uso da rede (TUSD) e a demanda contratada, com preços definidos pela ANEEL e diferentes na ponta e fora de ponta. As bandeiras tarifárias entram em cima da energia.
No mercado livre, a TE sai da fatura da distribuidora. A energia passa a ser comprada por contrato com uma comercializadora ou um gerador, a um preço negociado, e entram os encargos e a liquidação na CCEE. A TUSD e a demanda continuam pagas à distribuidora, e a bandeira tarifária deixa de ser cobrada. Contratos de energia incentivada podem dar desconto na TUSD, e esse desconto entra na conta.
A comparação, então, é entre a TE regulada com bandeira, de um lado, e o preço do contrato com os encargos, do outro. O resto da fatura não muda com a migração.
| Item da conta | Cativo (ACR) | Mercado livre (ACL) |
|---|---|---|
| Energia | TE regulada pela ANEEL, com ponta e fora de ponta | Preço negociado em contrato, mais encargos da CCEE |
| Bandeira tarifária | Cobrada | Não é cobrada |
| Uso da rede (TUSD) | Pago à distribuidora | Pago à distribuidora, com desconto se a energia for incentivada |
| Demanda contratada | Com a distribuidora | Com a distribuidora |
| Consumo fora do previsto | Sem efeito além da tarifa | A diferença para o contrato é liquidada ao PLD |
| Excedente do solar | Vira crédito na compensação (Lei 14.300/2022) | Não vira crédito: o consumidor livre não entra na compensação |
Por que a curva de consumo decide
Dois clientes com o mesmo consumo mensal podem ter resultados opostos. O que pesa é quando a energia é consumida: quanto cai no horário de ponta, qual é o pico de demanda e como o consumo se distribui ao longo do dia e do ano.
No mercado livre a energia é contratada por volume. Consumir acima ou abaixo do contratado expõe a diferença ao PLD, o preço de curto prazo, que varia por hora. A flexibilidade do contrato e o formato da curva definem o tamanho desse risco.
Por isso a comparação parte da memória de massa, que é o consumo medido de hora em hora ou de 15 em 15 minutos, e não da média mensal da fatura.
O que muda para o solar
No cativo, a geração própria pode participar do sistema de compensação da geração distribuída (SCEE): o excedente injetado na rede vira crédito para abater o consumo de outro horário, pelas regras da Lei 14.300/2022.
No mercado livre isso não existe. A mesma lei diz, no artigo 9º, que consumidores livres e especiais não podem aderir ao SCEE. A geração solar abate o consumo na hora em que acontece, e o excedente não vira crédito na fatura. Por isso o solar no mercado livre costuma ser dimensionado para autoconsumo, sem injeção na rede (zero grid), e o que sobraria ao meio-dia é limitado ou guardado em bateria.
O efeito na comparação é direto: um sistema solar dimensionado para o cativo, contando com créditos, fica grande demais se a unidade migrar.
O que muda para a bateria (BESS)
A bateria tem dois ganhos, e cada um reage de um jeito à migração.
O corte de demanda (peak shaving) não depende do ambiente. A demanda é contratada com a distribuidora nos dois casos, e a cobrança por ultrapassagem é a mesma.
O deslocamento de consumo da ponta (load shifting) depende de onde está a diferença de preço entre ponta e fora de ponta. Na tarifa Verde, boa parte do custo da ponta está na TUSD cobrada por kWh, que continua igual no mercado livre: tirar consumo da ponta segue valendo. Já a diferença da TE entre ponta e fora de ponta deixa de existir quando o contrato tem preço único para todas as horas, e essa parte do ganho some.
No mercado livre aparece um uso que o cativo não tem: a bateria pode ajustar a curva ao volume contratado e reduzir a exposição ao PLD nas horas caras.
Como montar a comparação, passo a passo
1. Levante a curva de consumo de 12 meses, hora a hora, e as faturas com a demanda contratada e a modalidade tarifária.
2. Calcule a conta de referência no cativo, na modalidade atual, e teste a outra modalidade (Azul ou Verde).
3. Calcule a conta no mercado livre com a mesma curva: preço do contrato, encargos, TUSD e demanda, com o desconto da energia incentivada quando houver.
4. Em cada cenário de tarifa, simule a unidade sem sistema, só com solar, só com bateria e com os dois. No mercado livre, o solar entra sem compensação de créditos.
5. Compare pelo custo total anual e pelos indicadores do investimento (payback, TIR e VPL), com a degradação dos equipamentos e o reajuste das tarifas ao longo dos anos.
O erro comum é decidir em duas etapas: primeiro migrar, depois estudar solar e bateria. A ordem muda o resultado, porque o melhor sistema para o cativo não é o melhor para o mercado livre.
Como o Energy BRAIN faz essa comparação
O Energy BRAIN roda essa matriz num estudo só. A partir da curva de consumo hora a hora, ele compara 8 cenários tarifários, de cativo e de mercado livre, em 32 combinações com solar e BESS. Mostra a fatura de cada uma, entrega payback, TIR, VPL, LCOE e LCOS do cenário escolhido e gera a proposta com a marca do integrador.